Menino homem e bicho de mau agouro

Quando engravidei e fiquei sabendo pelos exames que se tratava de um menino homem, como se diz lá na roça, e contrariando todas as superstições e simpatias que comigo faziam as tias, aparecendo sempre uma colher para dizer que seria mulher, quis escolher um tema para a decoração de seu quartinho que não fosse muito fofo. Não me sentia nada atraída por ursinhos, coelhinhos e outros animais doces e que não me parecem muito próprios à fauna brasileira e particularmente à fauna do cerrado. Mas também não cogitei escolher uma anta, um sariema ou um lobo guará. Alto lá! Eu sou maluca, mas não sou doida.

Acabei por escolher uma coruja, um animal que sempre gostei de fotografar e que me parece  associado à sabedoria. Quando me formei em Letras, era o símbolo do curso e eu sabia vagamente que a coruja era ligada mesmo à sabedoria, a deuses e seres mágicos protetores da filosofia e da literatura em algumas culturas. Sempre me fascinaram os grandes olhos vigilantes e perscrutadores.

Não consultei ninguém ao decidir, mas ouvi vez ou ou outra algum comentário perplexo sobre minha escolha.  Mas corujas comem ratos e até cobras. E ursinhos fofos comem o quê? São vegetarianos por acaso? Podem comer até gente, meu bem! Corujas seriam bichos de mau agouro. Uma coruja piando sobre uma casa é morte na família.  (Parênteses: várias gerações de corujas viveram e se reproduziram sobre o forro da casa de fazenda onde vivem meus pais, ambos com quase 80 anos, até que eles, não suportando mais a fuzarca e o mau cheiro, fecharam a entrada para as aves notívagas). Pois até bizarrices do tipo escutei: corujas são os olhos do diabo na terra. Que é isso? Me erra. O fato é que uma coruja de pelúcia foi a primeira coisa que comprei para me preparar para a chegada de Fernando. Pois encomendei com o desenho o kit de berço, as lembracinhas e o quadro para a porta da maternidade.

E olhe que não foi muito fácil encontrar todas essas coisas. Eu não achava muitos produtos disponíveis nem em lojas físicas nem na internet. Mandei fazer algumas  e até comprei pelo Etsy (http://www.etsy.com/) corujinhas feitas na Holanda e adesivos produzidos em Cingapura. Hoje, estranhamente, há uma profusão de corujas no mercado: roupas com estampas, acessórios e até brinquedos. Será que lancei tendência ou ela junto com Fernando estava nascendo?

Seduzida por seu pio, acabei ampliando o tema e incluí no quartinho outros bichos da noite, como sapos, gatos pretos e até um morcego (ou vampirinho?). O papel de parede do pequeno quarto foi de estrelas e acrescentei no móbile (sim, comprei um lindo da Fisher Price que tinha ursinhos), algumas corujas de feltro. Creio que o resultado ficou bom, lindo para uma mãe baba-ovo.

Depois do nascimento de Fernando, ele ganhou outros tantos bichos, que ajudaram a povoar seu quarto hoje repleto. Sorte é que ele não tem nenhuma alergia respiratória ou eu teria que me desfazer de todos, como já vi acontecer com muitas mães de bebês alérgicos por aí.

Brinquedo de machinho – Mas o que me causou desapontamento e eis mais uma razão deste post, além de falar de corujices, é que – perguntem-me se Fernando alguma vez se interessou por alguma dessas corujas e bichos escolhidos tão ternamente pela mãe e pelas visitas? Nunca, eu lhes digo. Ele sempre tratou os bichos de pelúcia com absoluto desprezo. Desde que viu seu primeiro carrinho, ficou obsessivo, “invocado”, como também se diz lá na roça. Anda com um carrinho pra todo lado, dorme, come, toma banho com eles.  Uma decepção para a mãe coruja e uma lição: não adianta, absolutamente, a gente tentar fazer escolhas para nossos filhos. Eles farão suas próprias escolhas, a começar pelo brinquedo preferido.

É claro que me debato, que lamento ao contemplar todos os bichos, com seus olhões carentes e esbugalhados pelas prateleiras e paredes, tanto mais que, ao contrário de muitos pais e mães que adoram carros, motos e  outras máquinas, e decoram os quartos de seus meninos homens com eles, nunca lhes devotei nenhum interesse e fascínio. Para mim, a finalidade de um carro é puramente prática: nos transportar e nada mais. Aliás, nem gostaria de cultivar no meu filho essa simpatia por máquinas e velocidade. Mas nada podemos contra essa inclinação natural. Fazer o que, se sou mãe de um típico machinho? Já que eu não quis escolher um tema fofo, com bichinhos fofos para meu filho dormir abraçadinho, o jeito agora é aguentar.

Aliás,  eu e seu pai ficamos surpresos no dia em que atravessávamos a rua e ouvimos ele falar a palavra “carro”. E foi dada a largada para a tagarelice. A propósito, com essa expressão eu compus uma frase que foi uma das vencedoras no concurso promovido pela Fisher Price (http://tinyurl.com/6hgpyqt). A gente deveria relatar a história das primeiras palavras ditas por nossos filhos. Frase objetiva e modesta, claro, limitada a uns tantos caracteres.

Eu bem que gostaria de ter feito um longo prólogo, relatando  as primeiras incursões de Fernando no fascinante mundo da linguagem verbal, mas o concurso não se prestava a isso. Para essas divagações se prestam o umbigo da mãe e este blog que é, claro, a expansão de seu próprio umbigo, hoje um pouco menos inchado e saltado pra fora. O prêmio para as frases vencedoras: lindos brinquedos da Fisher Price, que produz alguns dos melhores e mais divertidos. E adivinhem o que vou escolher para Fernando? Decerto não será uma coruja.


18 de fevereiro de 2011 at 0:32 2 comentários

Sob pressão e sobre panelas de pressão

Você, depois de se tornar mãe, já teve decerto a sensação de que a qualquer momento vai arrebentar de tanto amor por seu rebento, mas de que ao mesmo tempo vai explodir de tanta pressão e nervo. Depois que nos tornamos mães, por mais diversas que sejam as experiências e condições, nos vemos ocupadas com tantos afazeres, os dias se tornam ainda mais curtos com tantas demandas, se é que é possível já nessa enlouquecida selva urbana. Principalmente as mães de classe média, que precisam se desdobrar em tantos panos, telas e papéis.

Pois eu tenho o sentimento de que estou durante todo o tempo sob pressão. Desde que nasceu Fernando, por duas vezes à força do desemprego, precisei permanecer em casa só cuidando dele, sem quase nenhum auxílio. Ou trabalhando, feito uma moura ou uma boa cristã, com muito trabalho, nada de emprego, numa jornada nada sã.  E cá estou apenas em casa de novo, numa versão bem contemporânea de Amélia, preparando o almoço, limpando o chão e areando panelas, e, claro, navegando e escrevendo, entre uma tarefa e outra, quando o pequeno e os trabalhos de Sísifo dão trégua.

Engraçado é que hoje olho para mim no espelho do tempo e até acho curioso me ver assim fazendo tantas coisas que eu julgava “infazíveis” para a minha humilde e destrambelhada pessoa, a mais gauche, a  destra que tem duas mãos esquerdas. Nem falo mais daquelas operação delicadas – a superação de todas as limitações –   como dar banho no recém nascido ou desinfetar bem o delicado coto de umbigo ou cortar as unhas molinhas. Falo, por exemplo, de cozinhar feijão, cara amiga. Sim, vocês podem rir de mim à vontade, mas antes de Fernando nascer, eu nunca tinha cozinhado feijão na vida! E depois dele, perdi a vergonha de confessar tudo quanto antes me parecia inconfessável.

Eu sempre tive uma aversão inexplicável por cozinha. Geladeira era apenas uma horta fria onde as batatas brotavam, de solidão ou esquecimento.  Quando criança, não me lembro de ter brincado de “conzinhadinha” como era comuns principalmente para as meninas do interior. Montavam um fogãozinho de tijolos no quintal e faziam comezinho mesmo, de verdade, brincando com fogo na maior naturalidade.  Eu só servia pratos frios – disso lembro – pratos de flores, e comia de mentirinha. Bastava. E gostava de brincar de bonecas sim, mas me preocupava apenas com vesti-las, nunca com alimentá-las. Promovia até desfiles, colocando-as a desfilar por uma banheira convertida em passarela e cobrando ingresso da vizinhança inteira.  Ah, e fumava! Fumava aquele pauzinho do pé de chuchu, lembram? Desde cedo simpatizante das porcarias ou da má vida! Ave! Ainda bem que os filhos nos redimem. Ou quase.

E além da aversão por cozinha, eu sempre tive um enorme terror – aqui se trata de terror – por panelas de pressão. Devo ter ouvido algum relato de uma fulana que tinha ficado toda queimada depois que lhe explodira uma panela na cara. E para mim esses relatos se multiplicavam e todas as panelas de pressão de todas as casas me pareciam potencialmente ameaçadoras. E não sei se as panelas de antigamente eram mais inseguras, mas me lembro de minha mãe dizer que era preciso a borracha estar bem ajustada.  E que mistério para mim aquelas válvulas, que ficavam girando, girando e soltando um silvo estranho, uma espécie de alarme. E que artes era preciso, depois de apagado o fogo, para levantar a válvula com um garfo e ir soltando o vapor aos poucos.

Benditas são as válvulas de escape, não aquelas, claro, as outras! E assim talvez é que eu nunca fazia questão de feijão nas raras refeições que preparava em casa. O medo condicionou-me o paladar. Como eu vivia de dieta – falar nisso, preciso voltar a fazer uma – só comia pratos frios, saladas, ou aqueles semiprontos de levar ao forno, honrosa exceção para o macarrão e o ovo.  Bem, então a principal função das empregadas na minha casa foi por muito tempo cozinhar feijão. Eu só comia o importante grão quando alguém cozinhava.

Mas à força de tantos inesperados, dispensei a empregada, Fernando necessita comer feijão, tanto mais que depois que adoeceu, não ficaram lá muito altas suas taxas de ferro, e o menino ainda aprecia o danado.  Aprecia. E crianças não podem viver de comer porcarias- aconselha-nos a prudente e amorosa maternidade. Pois tive que superar meu trauma. E vejam: eu superei! Toda semana eu mesma cozinho um meio pacotinho de feijão. E como fico orgulhosa de mim, sabem? Quase saio gritando na rua: “Olhem bem para esta mulher, sublime criatura, cozinha feijão para o filho todas as semanas!”

Voltando ao outro tema deste meu texto. Ainda assim, eu continuo sendo uma panela velha a quase explodir de nervos. Não tem coisa que me faça supitar tanto, quanto eu me sentar ao computador para ler ou escrever e lá vir o Fernando gritando. Quase se soltam a válvula e mais um parafuso da minha cabeça. Querem sempre algo os pequenos. Que a gente lhes dê comida, que os leve ao banheiro, que brinque com eles, que pegue ou separe uma briga sua com o brinquedo, que assista juntinho pela milésima vez aos seus filmes. Agora mesmo, acaba de chegar, gritando, imperativo e imperadorzinho: “Mamãaaaaaaaaaaae! Vai lá fazer meu papá! Anda logo!”

………………………………………………………………………………………………………………..

Fui.  Quando volto, já cozinhei, já o alimentei, já lavei a louça, já lhe dei mamadeira, já o pus pra dormir – ele dorme, graças ao meu bom Deus!  – e já perdi o apetite para o texto. É assim, a gente sempre prestes a explodir, mas vale o preço.  E recomeça de onde parou.  E volta a escrever. E para a conversa. E começa de novo. Porque a gente que já era mulher, que já fazia tantas coisas ao mesmo tempo, com nossas centenas de braços e olhos, e nossa visão periférica aguçada e perfeita, agora que é mãe, vai se aprimorando e vai ganhando outros braços e outros olhos, um polvo monstruoso cada vez mais versátil e ubíquo, aprendendo a fazer o improvável mas não o impossível.

10 de fevereiro de 2011 at 15:29 Deixe um comentário

Para mãe, toda ela, todo gugu-blá-blá é pérola

Como toda mãe babona, é claro que me babo toda ao ouvir as frases engraçadas que meu filhote diz, em seu divertido processo de desenvolvimento da fala. Muitas  de suas frases naturalmente eu já esqueci e me arrependo mesmo de não ter anotado. Mas ao trocar algumas mensagens com uma antiga amiga no Facebook, resolvi registrar algumas pérolas de meu Fernando, que tem agora 2 anos e 8 meses, e que faz uma nova descoberta a cada minuto.

Talvez para outras mães e mesmo outras pessoas não envolvidas na maternidade isso soe como uma bobagem. Talvez não achem a menor graça nas tentativas que as crianças fazem pra se expressar. Mas creio que vale prestar atenção nelas, se não por pura corujice e babação maternal, simplesmente por curiosidade em relação aos caminhos interessantes do aprendizado de uma língua.

Fernando está agora na fase da polidez, ou pelo menos, vem respondendo a minha tentativa de lustrar sua comunicação com as tais palavrinhas mágicas: com licença, por favor, desculpas e obrigado. Já tendo percebido o poder persuasivo delas sobre a mãe – não bastasse a vozinha aguda e encantadora – ele as utiliza sem qualquer economia. Diz por favor a todo momento – aliás, mais precisamente “poi favore”. Diz também obrigado a torto e a direito, principalmente quando lhe oferecem comida, coisa de que ele, magrelinho, não faz muita questão.

O pedido de desculpas é outro recurso utilizado indiscriminadamente. Se ele se acidentalmente se machuca ou dá um esbarrão, é bem comum pedir desculpas ao objeto ou à parede machucadora.  Acredito que a repetição dessas expressões é mesmo comum a muitas crianças que começam a falar, mas creio que há outras que são bem singulares. Cada criança tem suas particularidades, para alegria das mães entusiastas, expressões e histórias únicas.

Entre as singularidades de meu pequeno está o hábito de me perguntar ou afirmar todas as manhãs, ou em horas diversas do dia: mamãe, você é muito feliz! A propósito desse hábito, aliás, eu já escrevi aqui  outro post, por ocasião do Natal. (http://tinyurl.com/6bnrfj3). Eu me derreto toda e desentristeço cada vez que ele me diz isso. Mas recentemente ele tem se tornado ainda mais pródigo em me surpreender. Outro dia, me perguntou se não iria cortar o cabelo lá no MEU Zé? SEU Zé – eu corrigi – o nome do barbeiro. Mas faz sentido. O Zé é dele, afinal, eu não vivo explicando que isso é seu e aquilo é meu?

Faz sentido – Estudiosos da Linguística têm uma explicação para a troca. Ele acerta ainda quando erra, porque segue a lógica da própria estrutura da língua. Usou o pronome no lugar certo, só errou de pronome – paciência (há gente bem grande, principalmente na administração pública brasileira, que ainda erra e se confunde demais sobre o que é seu e o que é meu), mas é o tal do eixo sintagmático ou será paradigmático? de um tal de Ferndinand de Saussure. Um outro Fernando, bom em línguas, claro. Perdoem-me, mas estudei isso há muito e sé me lembro vagamente desse princípio.

Outra confusão divertida que ele fez outro dia diz respeito à polissemia das palavras. Seguindo a dica de minha amiga e vizinha Raquel, mãe da Valentina, eu expliquei a ele que a comida que a gente come, depois que vai para a barriga, vira cocô. (Falar de cocô entre mães, pode, né, não é nojento?) Depois de comer um chocolate – para esse ele não diz “não, obrigado” (aí seria polidez ou inapetência demais!), eu perguntei o que o cocô tinha virado. “Virou de cabeça pra baixo” – ele respondeu e ainda fez o gesto com as mãozinhas.  Não, eu tentei corrigir, ainda que fizesse sentido. Aliás, ele estava muito mais certo  ou foi mais preciso do que  a mãe. Foi mal, hem filho!

Assim mesmo, passando por cima de minha ambiguidade despercebida, insisti, pra ver se ele tinha aprendido bem a lição: “Em que o chocolate se transformou?”  Pô, transformar, aí eu fui longe! “Numa palavra!” – exclamou, empolgado.  Das duas uma: ou ele tem assistido Word World em excesso, no Discovery Kids, ou já está se tornando poeta. Um chocolate que se transforma em palavra? Na boca da mamãe, até que vai. Mamãe quando come chocolate fica muito inspirada e eloquente, quase verborrágica. A quem interessar possa: comi uma caixa inteira de bis hoje.

Eu poderia escrever linhas e linhas sobre as descobertas e contribuições de Fernando para o idioma, mas me limito a finalizar este texto com as suas últimas falas inusitadas. Outro dia, meio bronqueado comigo, dentro do carro, ele me olhou bem e disse: “você está rindo da minha cara. Me dá um tempo!” Pode? Um menino que nem tem três anos te pedir um tempo? Juro que não foi comigo que ele aprendeu isso. Foi com o pai ou com a TV, aposto. Eu não o repreendi, claro. Só caí na gargalhada e me lembrei de outra amiga, a Alene. Seu filho Tiago, ainda bem pequeno, depois que ela chamou sua atenção para alguma peraltice – disse a ela que o deixasse em paz, pois estava muito estressado. Ela lhe mostrou incontinenti quem estava estressado na casa.

Esses nossos filhotes são mesmo danadinhos. Trocam, inventam e sobretudo repetem o que ouvem a gente dizer, na sua longa aventura rumo à comunicação oral e à tagarelice. Que a gente tome, portanto, muito cuidado com o que diz na frente deles.  Hoje mesmo, Fernando repreendeu a filha de minha vizinha Kênia. Disse: “Renata, você é muito teimosa!”  Imagine se a mamãe não vive dizendo isso a ele.

E para finalizar este texto – agora termino, prometo – segue a história da antiga e distante amiga, Niely, que mencionei no início. Ela é brasileira, casada com um austríaco, vive em Viena, é mãe de um lindo menino chamado Bruno e irmã gêmea (ops!), mãe também de uma branca de neve chamada Carmen. Os meninos são poliglotas, claro, como a mamãe. Com as palavras dela: “quando o Bruno não sabia enrolar o R em português, e ele ainda dormia com o brinquedo da fase atual. Um dia, na fase dos carrinhos, ele só ia pra cama carregado de matchbox, e fazia uma fila do lado do travesseiro. Aí , no meio da noite ele me acordou e falou mamãe, carrinho! E eu comecei a procurar os carrinhos e dar pra ele, enquanto ele falava não quero carrinho, quero carrinho! para de dar carrinho, eu quero carrinho. Me custou uns 5 minutos pra entender que ele não queria carrinho, mas carinho.”

Nessa história do pequeno Bruno, a Linguística também explica: entra a dificuldade de diferenciar O R vibrante do velar. Será isso mesmo, seu Saussure? De qualquer forma, faz sentido.

A propósito, se outras mães tiverem histórias curiosas pra contar das descobertas maravilhosas de seus filhotes, mandem pra mim. Quem sabe um dia eu possa até escrever um livrinho infantil repleto delas. Tenho certeza que para as mamães babonas pelo menos, elas vão fazer muito sentido.

2 de fevereiro de 2011 at 22:56 Deixe um comentário

Adeus, meu bebê!

Hoje repassei a minha cunhada, que vai ser mãe de uma menininha, as roupas que eram do Fernando quando bebê. Queria ter separado algumas peças que talvez não fossem adequadas para uma menina ou que fossem mais queridas por mim, mas acabei repassando tudo mesmo.  Ela chegou de surpresa – mora no interior – eu não estava esperando e resolvi precipitadamente me desfazer de tudo ou quase tudo. Ela e meu irmão não estão em uma boa situação financeira e sei que as peças,  entre elas macacões, mantas e cueiros, muitas delas novinhas, de excelente qualidade, com pouquíssimo uso, vão ser muito úteis e bem aproveitadas. Vão permitir que eles façam uma boa economia, reservando o dinheiro para gastos essenciais.

Todavia, além de ter ficado exausta depois de retirar sacolas e mais sacolas do fundo do armário, fui tomada por uma  angústia e uma sensação de vazio. Um meio arrependimento, confesso. Tive vontade de correr atrás dela e dizer: me devolva, pelo menos este conjunto aqui, que ele usou quando saiu da maternidade;  este outro, que vestiu no dia em que sua bisavó o benzeu; ou ainda este com estampa de bezerrinho e que ele usava quando visitou vovô na fazenda.

Fui tomada pelo sentimento de que junto com as roupinhas foram embora um pouco da minha história com Fernando, sua gestação, nascimento, os primeiros dias e meses,  e até mesmo as esperanças de ter um outro filho. Por quantas noites, antes de ele nascer, eu me deitava na cama , mas mantinha a gaveta do armário aberta, e ficava contemplando cada uma das roupinhas que havia comprado, imaginando como seria vê-lo dentro delas.

Luto contra esse sentimento, afinal sei que é bobagem a gente se apegar às coisas, aos objetos. Aliás,  sei que a lembrança de pegar Fernando pelas primeiras vezes no colo, o perfume bom de bebê que emanava dele, a sensação de plenitude e de reconhecimento de nossa familiaridade antiga (anterior ao seu nascimento), sei que tudo isso não está aprisionado nos fios do tecido.

O destino dessas roupinhas guardadas geralmente é se tornarem amarelas e deformadas, ou no máximo vestir as bonecas da irmazinha ou de alguma outra menina. Ainda mais nesse momento da história do mundo,  em que devemos nos preocupar com reciclagem, com reaproveitamento, com consumo consciente, é absurdo ficar estocando coisas, roupas, quinquilharias. Precisamos aprender a desocupar armários, a nos despir, a caminhar mais leves pela vida. Há, além disso, tantas fotos  e até vídeosque nos permitem guardar melhor as lembranças.

Se sei de tudo isso, por que afinal sofro tanto? Por que afinal estou com a impressão de que fiz uma grande tolice? Parece que ouço centenas de vozes me recriminando. Mas como você pôde se desfazer das coisas dele? Você vai se arrepender.

Reconheço. Estou num momento particularmente frágil e difícil. À la Maysa, meu mundo caiu (http://www.youtube.com/watch?v=f_2MtwlnLg0&feature=related). Desfazer-me das roupinnhas do bebê que eu tanto quis ter representa me desfazer também de tantos outros sonhos, ilusões e esperanças.  Eu não digo adeus só a ele, que cresceu e  está se tornando progressivamente independente, como é natural que aconteça com todos os filhos-passarinhos-feitos-para-voar-para-longe-dos-ninhos.
Simboliza dizer adeus a muito mais que isso.

12 de janeiro de 2011 at 17:35 Deixe um comentário

Alerta

Caras leitoras,

Por diversas vezes, eu recomendei aqui alguns clubes de compras, por considerá-los uma excelente oportunidade para adquirir produtos de qualidade por bons preços.  No entanto, embora tenha tido experiências bem-sucedidas, tenho enfrentado mais recentemente problemas com um clube de compras em particular: o Brands Club, também BCBlue.

Já tive até agora duas encomendas canceladas, isso depois de já terem sido debitadas todas as parcelas no cartão de crédito. O valor de uma das compras foi estornado no cartão. E ainda aguardo o estorno da segunda. Quanto à terceira compra, espero já por quase dois meses a entrega, que é constantemente adiada.

Tenho visto na net que os problemas com esse clube de compras têm sido comuns. Se procurarem no twitter, vão encontrar muitas queixas a respeito. Espero que o clube honre com seus compromissos, envie logo as mercadorias pagas ou devolva o dinheiro.

De qualquer modo, a decepção do consumidor é sempre grande. Se a gente compra é porque deseja realmente o produto. E se paga e não recebe dentro do prazo estipulado, indiretamente está emprestando dinheiro sem cobrar juros.

Por essa razão, quis fazer aqui um alerta. Sempre procuro dar boas dicas para mamães e não gostaria que se decepcionassem com alguma indicação que fiz.

Quanto aos demais clubes de compras, como Privalia e Coquelux, continuo comprando neles, embora o Privalia já tenha registrado um pequeno atraso.

8 de janeiro de 2011 at 11:18 Deixe um comentário

Um ano novo com muitas letras!

Ando sumida daqui do Mamãe e Tia Dica porque resolviu frequentar novamente meu antigo blog http://almofariz.blogspirit.com/. Começo a cumprir a primeira promessa que fiz a mim mesma para este 2011: voltar a escrever, escrever muito, demais! Quem tiver interesse em ler outros papos, que não apenas os de mãe, dê uma passadinha lá.

1 de janeiro de 2011 at 14:26 Deixe um comentário

Carta de Natal e coisa e tal

Todos os dias, depois que Fernando acorda, nunca  depois das 7 da manhã, ele sai de seu quartinho, deita em minha cama, chega seu rostinho junto ao meu, murmura  bom dia e diz de um modo indescritivelmente terno: “mamãe, você é muito feliz”. Fala assim mesmo em tom afirmativo, não uma indagação, mas uma constatação.

Sei que ele se expressa dessa forma por  não distinguir muito bem os verbos ser e estar. Ele parece na verdade querer perguntar  se estou contente, se não estou brava com suas birras e travessuras. É também seu jeito carinhoso de fazer com que eu me levante logo da cama. Acorda, mamãe, levanta! – ele insiste, se não o atendo logo.

De qualquer maneira, sua afirmação me serve como “despertador”, é um verdadeiro choque de realidade ou de felicidade. Desperta-me da dor, de qualquer dor,  de qualquer preocupação ou tristeza, do mau dia, dos maus sonhos, da noite mal dormida.  Do alto da sabedoria de seus três anos incompletos, ele me recorda de que “sim, sou realmente muito feliz”.

Sou,  principalmente por tê-lo em minha vida, mas sobretudo “sou”, ainda quando não estou feliz.  Sou, a despeito  das tristezas, das contrariedades, das frustrações. Sou, porque  a felicidade não é um estado provisório, mas uma condição e uma disposição permanente de se viver. Sou, porque ele, Fernando, ao nascer, fez nascer em mim a disposição para a felicidade, despertou em mim potencial de amor  que eu tinha mas do qual não suspeitava. Fez-me abrir os olhos, como se dissesse “mamãe, veja, para além dessa treva interior em que você adormece, há um sol, existo eu e há outros para amar e cuidar”.

E olha, quem me conhece, sabe que não me pegam fácil os rompantes cor de rosa de Pollyana Menina, que sempre tive certa inclinação para a melancolia.   Escrevo isto, correndo o risco de parecer a mais melosa das corujas, porque todos os dias, ao olhá-lo, desde o amanhecer, tenho a consciência de que, desde seu nascimento, tenho vivido ao seu lado os dias mais felizes de minha vida. E  olha que houve uns tantos reveses. Mas sua chegada se constituiu em tal preenchimento, que se falta o resto, se falta emprego, se falta dinheiro, se faltam muitas vezes até paciência e tolerância, continuo completa e repleta. Pode até faltar o de comer e o de beber, mas nunca mais faltará o de amar.

Por isso, nesse momento da tradição cristã em que se comemora também um nascimento, desejo que todos os amigos sejam despertados por essa constatação. O dia pode não ser dos mais felizes, a noite pode não ser tão feliz, 2010 pode não ter sido um ano dos melhores, mas a felicidade continua ali, latente, no amor que devotamos aos nossos filhos, pais, amigos.

Que todos, amigos e principalmente as amigas, ávidas de encontro, prenhes de esperança, despertem, a partir deste Natal, assim como eu, acordados por aqueles ou aquilo que amam, com quem ou algo afirmando: olhe, você é muito feliz!

17 de dezembro de 2010 at 21:41 6 comentários

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